domingo, 27 de maio de 2012
UM POEMA DE OSWALD DE ANDRADE
oferta
Saibam quantos este meu verso virem
Que te amo
Do amor maior
Que possível for
canção e calendário
Sol de montanha
Sol esquivo de montanha
Felicidade
Teu nome é
Maria Antonieta d'Alkmin
No fundo do poço
No cimo do monte
No poço sem fundo
Na ponte quebrada
No rego da fonte
Na ponta da lança
No monte profundo
Nevada
Entre os crimes contra mim
Maria Antonieta d'Alkmin
Felicidade forjada nas trevas
Entre os crimes contra mim
Sol de montanha
Maria Antonieta d'Alkmin
Não quero mais as moreninhas de Macedo
Não quero mais as namoradas
Do senhor poeta
Alberto d'Oliveira
Quero você Não quero mais
Crucificadas em meus cabelos
Quero você
Não quero mais
A inglesa Elena
Não quero mais
A irmã da Nena
Não quero mais
A bela Elena
Anabela
Ana Bolena
Quero você
Toma conta do céu
Toma conta da terra
Toma conta do mar
Toma conta de mim
Maria Antonieta d'Alkmin
E se ele vier
Defenderei
E se ela vier
Defenderei
E se eles vierem
Defenderei
E se elas vierem todas
Numa guirlanda de flechas
Defenderei
Defenderei
Defenderei
Cais de minha vida
Partida sete vezes
Cais de minha vida quebrada
Nas prisões
Suada nas ruas
Modelada
Na aurora indecisa dos hospitais
Bonançosa bonança.
(Do livro Cântico dos Cânticos para flauta e
violão)
sexta-feira, 25 de maio de 2012
POEMAS DE MÁRIO FAUSTINO
VIDA TODA LINGUAGEM
Vida toda linguagem,
frase perfeita sempre, talvez verso,
geralmente sem qualquer adjetivo,
coluna sem ornamento, geralmente
partida.
Vida toda linguagem,
há entretanto um verbo, um verbo
sempre, e um nome
aqui, ali, assegurando a perfeição
eterna do período, talvez verso,
talvez interjetivo, verso, verso.
Vida toda linguagem,
feto sugando em língua compassiva
o sangue que criança espalhará - oh
metáfora ativa!
leite jorrado em fonte adolescente,
sêmen de homens maduros, verbo,
verbo.
Vida toda linguagem,
bem o conhecem velhos que repetem,
contra negras janelas, cintilantes
imagens
que lhes estrelam turvas
trajetórias.
Vida toda linguagem --
como todos sabemos
conjugar esses verbos, nomear
esses nomes:
amar, fazer, destruir,
homem, mulher e besta, diabo e anjo
E deus talvez, e nada
Vida toda linguagem,
vida sempre perfeita,
imperfeitos somente os vocábulos
mortos
com que um homem jovem, nos terraços
do inverno, con-
[tra a chuva,
tenta fazê-la enterna - com se lhe
faltasse
outra, imortal sintaxe
à vida que é perfeita
língua
eterna.
SINTO
QUE O MÊS PRESENTE ME ASSASSINA
Sinto que o mês presente me
assassina,
As aves atuais nasceram mudas
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre homens nus ao sul de luas
curvas.
Sinto que o mês presente me
assassina,
Corro despido atrás de um cristo
preso,
Cavalheiro gentil que me abomina
E atrai-me ao despudor da luz
esquerda
Ao beco de agonia onde me espreita
A morte espacial que me ilumina.
Sinto que o mês presente me
assassina
E o temporal ladrão rouba-me as
fêmeas
De apóstolos marujos que me arrastam
Ao longo da corrente onde blasfemas
Gaivotas provam peixes de milagre.
Sinto que o mês presente me
assassina,
Há luto nas rosáceas desta aurora,
Há sinos de ironia em cada hora
(Na libra escorpiões pesam-me a
sina)
Há panos de imprimir a dura face
À força de suor, de sangue e chaga.
Sinto que o mês presente me
assassina,
Os derradeiros astros nascem tortos
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre o morto que enterra os
próprios mortos
O tempo na verdade tem domínio,
Amém, amém vos digo, tem domínio
E ri do que desfere verbos, dardos
De falso eterno que retornam para
Assassinar-nos num mês assassino.
BALADA
(Em
memória de uma poeta suicida)
Não conseguiu firmar o nobre pacto
Entre o cosmos sangrento e a alma
pura.
Porém, não se dobrou perante o fato
Da vitória do caos sobre a vontade
Augusta de ordenar a criatura
Ao menos: luz ao sul da tempestade.
Gladiador defunto mais intacto
(Tanta violência, mas tanta
ternura),
Jogou-se contra um mar de
sofrimentos
Não para pôr-lhes fim, Hamlet, e sim
Para afirma-se além de seus
tormentos
De monstros cegos contra só um
delfim,
Frágil porém vidente, morto ao som
De vagas de verdade e de loucura.
Bateu-se delicado e fino, com
Tanta violência, mas tanta ternura!
Cruel foi teu triunfo, torpe mar.
Celebrara-te tanto, te adorava
De fundo atroz à superfície, altar
De seus deuses solares - tanto amava
Teu dorso cavalgado de tortura!
Com que fervor enfim te penetrou
No mergulho fatal com que mostrou
Tanta violência, mas tanta ternura!
Envoi
Senhor, que perdão tem o meu amigo
Por tão clara aventura, mas tão dura?
Não está mais comigo. Nem conTigo:
Tanta violência. Mas tanta ternura.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
UM POEMA DE MARCELI ANDRESA BECKER
arquear o corpo da mulher. música
xilofonada em ossos: arcadas, fósseis. o sangue apaixonado a se espraiar pelos
microcanais das tetas.
cabeça, o lustre absoluto. uma
imensa copa cujos galhos se inclinam para o outro lado da noite: ouve-se o
silêncio, o tônus secreto das línguas, como que varado por um fogo de patas,
que bate casco. queima, fluído.
dizem, é o canto desentranhado, a
delicada implosão do músculo da luz; dizem, é o amor, de repente, uma lira
quadrúpede que se deixa tanger pelo crime, este crime lentamente masculino.
tudo canta por baixo dos testículos tombados.
tudo canta por baixo dos testículos tombados.
terça-feira, 22 de maio de 2012
UMA CONVERSA COM AUGUSTO DE CAMPOS
Augusto de
Campos é um poeta com vocação para o futuro. Na época do “pós-moderno”, que se
traduz no retorno a formas neoclássicas ou numa releitura do Modernismo dos
anos 30, ele insiste em “desafinar o coro dos contentes”. À margem da margem,
recusa o tom confessional e discursivo e insiste na busca da beleza difícil. Com os novos recursos oferecidos pela
informática, Augusto vem realizando experiências com a poesia digital, que une a
cor, o som, a palavra e o movimento, retomando o ideário da poesia concreta,
com mais vigor e rigor. Tradutor incansável, Augusto publicou uma nova
coletânea de poesia russa contemporânea, enfocando nomes da vanguarda do início
do século, como Maiakóvski e Khlébnikov. A tradução — ou “recriação” — , como
ele prefere chamar, é “uma forma de aprendizado, de crítica criativa e de
conversa inteligente”. Com o poeta norte-americano e. e. cummings, por exemplo,
ele mantém um diálogo de quase quatro décadas, que vem inseminando a sua
própria produção. Para os que pensam que a arte poética está exaurida, o poeta
sentencia: “Tudo está dito. Tudo é infinito”.
Confiram
abaixo alguns trechos da entrevista que fiz com o poeta, publicada em 1999 no Suplemento Literário de Minas Gerais.
A crise do verso anunciada por Mallarmé, a
seu ver, aponta para o fim da poesia como arte verbal, com a adoção dos meios
eletrônicos, ou ainda é possível a experimentação no poema-texto?
— Não acho que a crise do verso aponte para o fim da poesia como
arte verbal, mas para um redimensionamento estrutural do poema. Essa
reestruturação começou a ser trabalhada de vários modos pelas vanguardas do
início do século, mas foi interrompida pela intervenção de duas grandes guerras
e de duas ditaduras, a nazista e a stalinista, que perseguiram tenazmente os
artistas experimentais e retardaram a evolução. Retomada, sob a inspiração de
Mallarmé, pela poesia concreta, na segunda metade do século, essa abertura
estrutural continha em germe os pressupostos das linguagens que iriam encontrar
o seu "habitat" natural no contexto das novas tecnologias
eletrônicas. Nesse contexto, a palavra não deixa de ter lugar, mas tem que ser
reciclada, entrando em contato direto com a dimensão não-verbal, as imagens e
os sons, e passa a ser interdisciplinar, intertextual e muitas vezes
interativa, além de projetar-se em parâmetros materiais mais amplos, que devem
levar em conta critérios de forma, cor, espaço e movimento. Não há porque
excluir o livro ou outros suportes matéricos e textuais, que seguem o seu curso
e até se beneficiam da tecnologia digital no processo de sua feitura. O que
ocorre é a abertura insopitável para o universo virtual, em situações em que a
palavra, potencializada em todos os seus parâmetros, já não cabe no livro.
Suponho que haverá ainda, por muito tempo, lugar para aqueles que prefiram
trabalhar exclusivamente as poéticas do texto fora do contexto das novas mídias
eletrônicas. Por outro lado, insisto em sublinhar, o mero domínio do computador
não transforma ninguém, só por só, em grande poeta, e as facilidades da
engenharia digital devem preocupar sempre aqueles que a usam. Acima de tudo, a
grande arte é sempre difícil. "Sem presumir o que sairá daqui, nada ou
quase uma arte", dizia Mallarmé, há um século, no prefácio do Lance de dados, que antecipou todos os
lances. E Pound, inventor de tudo: "Beauty is difficult". E
Schoenberg, mestre de todos, aos seus alunos: "Eu vim aqui para tornar
impossível a vocês compor música". Daí surgiram Anton Webern, Alban Berg e
John Cage.
Fale um pouco sobre o seu método de
trabalho. Costuma escrever todos os dias? Quando escreve um poema, o que surge
primeiro: o assunto, alguma palavra, o design ou algum recurso de linguagem? Tudo é planejado, ou em dado momento
entra em ação o acaso?
— Trabalho
todos os dias, mas poemas, mesmo, faço muito poucos. Traduzo muito mais poemas
alheios do que faço os meus próprios. É uma forma de aprendizado, de crítica
criativa e de conversa inteligente. Armazeno informações e me preparo, sem
pressa. Mas não planejo racionalmente poemas. Uma forma, uma frase, uma imagem,
um fato, uma emoção, uma palavra podem constituir um indício e precipitar um
momento de tensão, a partir do qual se desencasula o poema, que, então sim,
depois da chispa inicial, pode ser controlado, desenvolvido e aperfeiçoado com
o know how adquirido. Não desdenho o
acaso, ao qual até já dediquei um poema.
Em Música de invenção, você fez uma ampla abordagem da música
experimental do século XX. Aliás, sua preocupação nessa área está presente
também em obras como O balanço da bossa,
as traduções de Arnaut Daniel e do Pierrot Lunaire e as parcerias com Caetano Veloso. Qual é a importância da música para
o seu trabalho poético?
— A
importância da música é obviamente muito grande em meu trabalho, que começou
sob o signo dela. Antes mesmo do lançamento oficial da poesia concreta no Museu
de Arte Moderna de São Paulo, em 1956, três poemas do Poetamenos foram apresentados no Teatro de Arena, num espetáculo
que já levava o título de Música e Poesia Concreta, ao lado de Machaut e
Webern, em 1955. O trabalho com Cid Campos, no CD Poesia é risco e nos espetáculos do mesmo nome testemunham a
continuidade da presença da música em minha atuação poética. Assim como o
recente Música de invenção, que tenta
alertar para a grande lacuna cultural deste fim de século, que é a paradoxal
marginalização da música erudita moderna, da "música contemporânea",
uma das mais fascinantes aventuras da criação artística do nosso tempo.
Você publicou uma nova edição, ampliada, dos
poemas de cummings, autor que vem traduzindo desde os anos 50. A seu ver, a
contribuição de cummings já está esgotada, ou ainda é possível aprender algo de
novo com ele?
— cummings
está mais vivo que nunca. Sua poesia é mais nova e mais atual do que a maior
parte da que se lê hoje, considerando-se que houve nos últimos tempos, a
pretexto de "pós-moderno" (na verdade, antes "anti" ou
"contra"' moderno, quase sempre) um retrocesso na linguagem poética.
cummings concilia liberdade (desmembra e intercepta frases, palavras e sílabas,
dinamizando o poema e multiplicando as direções e as dimensões da leitura) e
rigor (suas estruturas poéticas obdecem a processos de organização que se opõem
às facilidades verbais), o que é raro. Há muito que aprender e que degustar em
sua poesia.
Qual é a sua opinião sobre dois movimentos
estéticos recentes, o Neobarroco e a Language poetry?
— A meu ver,
nem o "Neobarroco" nem a "Language poetry" constituem
propriamente movimentos. A expressão "neobarroco" caracteriza antes
uma interpretação de certos aspectos estilísticos da linguagem literária do
nosso tempo, especialmente da América Latina de língua espanhola. Mas, se se
quiser, poder-se-á encontrar estilemas barrocos em Joyce e até na poesia
concreta. O grupo da "Language poetry" é mais definido, por ter se
concentrado fisicamente em torno de uma revista, cujo primeiro número apareceu
em 1978, mas não tem a envergadura de um movimento. Chamou a atenção para a
materialidade da palavra, no contexto da poesia norte-americana, mas essa
preocupação já fora explicitada, com maior nitidez e amplitude, em teoria e
prática, pela poesia concreta, desde a década de 50. Acho a maioria dos poetas
ligados à revista muito prejudicada pela opacidade da "escrita
não-referencial", derivada dos "botões tenros" de Gertrude
Stein, e muito ingurgitada de algaravia crítica. Ainda assim, a ênfase na
materialidade do texto fez do grupo, no mínimo, um pólo de discussão relevante
no âmbito da poesia norte-americana contemporânea.
Tudo está dito? Ou ainda há o que dizer, em
poesia?
— Tudo está
dito. Tudo é infinito.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
sexta-feira, 18 de maio de 2012
O QUE É A POESIA?
A poesia é de longe a linguagem de maior potência de
significação – “a mais condensada forma de expressão verbal”, no dizer de Pound
–, e não é de espantar a variedade de leituras, de idiossincrasias, de práticas
que permeiam a poética contemporânea e, evidente, a sua recepção. Tão diversas
como o são os próprios seres e seus interesses.
O poeta e editor Edson Cruz instigou a
possibilidade dessa reflexão e constatação convidando poetas de várias
linhagens e calibres a refletirem sobre o fazer poético e as referências
fundamentais para o trabalho de cada um deles.
O resultado transformou-se em livro que será o mote
para os diálogos que a Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de
Poesia e Literatura tem o prazer de oferecer (todo o último domingo do
mês) a partir de maio.
A cada encontro, um grande poeta em atividade falará
sobre sua visão de poesia, sobre suas influências, sobre a recepção de seu
trabalho e o mercado editorial, além de responder a questões do mediador e do
público presente.
PROGRAMAÇÃO
Dia 27/05, domingo, das 16h às 18h:
AUGUSTO DE CAMPOS
Augusto de Campos
nasceu em 1931. É poeta, advogado, tradutor, crítico e publicitário. Estreou em
fevereiro de 1949 na Revista de Novíssimos e logo depois publica nas páginas da
Revista Brasileira de Poesia, ligada ao clube de Poesia de São Paulo, da
geração de 1945. Em 1951 edita por conta própria o livro O Rei Menos o Reino.
No ano seguinte funda o Grupo Noigandres, com seu irmão Haroldo e o poeta Décio
Pignatari . Participando do lançamento da revista Noigandres, publica no
primeiro número os poemas “Ad Augustum per augusta” e o “Sol por natural”.
Iniciou em 1953 a série “Poetamenos”, que seria publicada em 1955, no n.2 da
revista Noigandres. Começa a publicar seus primeiros artigos teóricos em
1955, já em outubro cunhava para a nova poesia que surgia o termo poesia
concreta. Em novembro vê seu “Poetamenos” ser oralizado pelo grupo Ars Nova, ao
mesmo tempo que realizou conferência sobre as correspondências estéticas entre
as novas artes que surgiam. Em 1956 inicia correspondência com e.e.cummings.
Finaliza com Haroldo de Campos a tradução de 17 cantares de Pound e entrega
para publicação 10 poemas de e.e.cummings. No final do ano ajuda a organizar a
I Exposição Nacional de Arte Concreta, em São Paulo e em fevereiro do ano
seguinte no Rio. Publica Noigandres n.3. Em 57 lança, como articulista
do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, textos que seriam base do Plano
Piloto para Poesia Concreta, lançado pelo grupo em 1958. Publica nesse ano Noigandres
n.4. Em 1959 entra em contato com a poesia de Sousândrade, Em 1906
participa da realização da página Invenção no Correio Paulistano. Publica a
tradução de cummings e de Ezra Pound. Publica em invenção estudos sobre
Sousândrade. Nos anos 60 transfere sua atenção para a cultura de massa, em
especial a música popular, publicando o Balanço da Bossa, em 1968. Em 1995
lançou com seu filho, o músico Cid Campos, o CD “poesia é risco” (Polygram). A
performance criada a partir do CD, em parceria com Walter Silveira, já foi
apresentada em diversos eventos, no Brasil e no Exterior. Nos últimos anos,
Augusto de Campos vem se dedicando à feitura de poemas “verbovocovisuais” em
mídia digital. Trabalhando com um computador Macintosh e programas de multimídia,
desenvolve poemas novos, bem como releituras de obras anteriores, com recursos
de som, animação e interatividade. Em 1996, participa da exposição Utopia como
poeta do mês. Atualmente desenvolve um trabalho de poesia utilizando-se da
linguagem do computador, exibindo-os via internet. Vive e trabalha em São
Paulo.
Dia 24/06, domingo, das 16h às 18h:
RICARDO CORONA
Ricardo Corona atua
nos seguintes campos: poesia contemporânea brasileira e hispano-americana, estudos
de relação entre as áreas artísticas (performance, poesia sonora, artes
visuais), tradução, linguagem e cultura. É autor dos livros ¿Ahn? (Madri,
Poetas de Cabra, 2012), Ahn? (Jaraguá do Sul, Editora da Casa, 2012), Curare
(Iluminuras, 2011 – Premio Petrobras), Amphibia (Portugal, Cosmorama, 2009),
Corpo sutil (2005), Tortografia, com Eliana Borges (2003) e Cinemaginário
(1999), publicados pela Editora Iluminuras. Na área de poesia sonora, gravou o
CD Ladrão de fogo (2001, Medusa) e o livro-disco Sonorizador (Iluminuras,
2007). Organizou a antologia bilíngue (português-inglês) de poesia Outras
praias / Other Shores (Iluminuras, 1997). Com Joca Wolff, traduziu o
livro-dobrável aA Momento de simetria (Medusa, 2005) e a coletânea Máscara
âmbar (Lumme, 2008), de Arturo Carrera (com posfácio de Raúl Antelo) e,
esparsamente, publicou traduções de Henry Michaux, Gary Snyder e William Carlos
Williams. Com Mario Cámara, Daniel Link, Reinaldo Laddaga, Romina Freschi, Nora
Domínguez, entre outros estudiosos da literatura hispano-americana, participa
do livro La poesía de Arturo Carrera – Antología de la obra y la crítica,
organizado por Nancy Fernández e Juan Duchesne Winter (Instituto Internacional
de Literatura Iberoamericana/Universidade de Pittsburgh, 2010). Tem ensaios e
poemas publicados nas revistas Poiésis (Brasil), Tsé-tsé (Argentina),
Rattapallax (USA), Caligramme (França), Separata (México) e nos jornais
Suplemento Literário de Minas Gerais (Brasil) e caderno Mais! (Folha de S.
Paulo). Com Eliana Borges criou as revistas de poesia e arte Medusa (1998-2000)
e Oroboro (2004-2006) e com Joana Corona o jornal Vagau (2011). Desde 1996,
apresenta trabalhos performativos que envolvem música eletroacústica, artes
visuais e poesia sonora, dos quais, destacam-se Carretel curare (2011) e as
parcerias com Eliana Borges, Tsantsa (2011), Alfabeto móvel (2010), Nomos
(2009), Tambaka (2008) e Jolifanto (2007).
Dia 29/07, domingo, das 16h às 18h:
AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA
Affonso Romano de Sant’Anna: Um dia dizendo
seus poemas no Festival Internacional de Poesia Pela Paz, na Coréia (2005), ou
fazendo uma série de leituras de poemas no Chile, por ocasião do centenário de
Neruda ( 2004), ou na Irlanda, no Festival Gerald Hopkins(1996), ou na Casa de
Bertold Brecht, em Berlim(1994), outro dia no Encontro de Poetas de Língua
Latina(1987), no México, ou presente num encontro de escritores
latino-americanos em Israel(1986), ou participando o International Writing
Program, em Iowa(1968), Affonso Romano de Sant’Anna tem reunido através de sua
vida e obra, a ação à palavra . Nos anos 90 foi escolhido pela revista
“Imprensa” um dos dez jornalistas que mais influenciam a opinião pública. Em
1973 organizou na PUC/RJ a EXPOESIA, que congregou 600 poetas desafiando a
ditadura e abrindo espaço para a poesia marginal; foi assim quando em 1963, no
início de sua vida literária, tornou-se um dos organizadores da Semana
Nacional de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte. Com esse mesmo espírito de
aglutinar e promover seus pares criou, em1991, a revista “Poesia Sempre” que
divulgou nossa poesia no exterior e foi lançada tanto na Dinamarca, quanto em
Paris, tanto em São Francisco quanto New York, incluindo também as principais
capitais latino-americanas. Atento à inserção da poesia no cotidiano, produz
poemas para rádio, televisão e jornais. Tendo vários poemas musicados (Fagner,
Martinho da Vila), foi por essa e outras razões convidado a desfilar na
Comissão de Frente da Mangueira na homenagem a Carlos Drummond de Andrade, em
1987. Apresentou-se falando seus poemas, em concerto, ao lado do
violonista Turíbio Santos. Tem também quatro CDs de poemas: um gravado por
Tônia Carrero, outro comparticipação especial de Paulo Autran, outro na sua voz
editado pelo Instituto Moreira Salles e o mais recente outro pela Luzdacidade,
com a participação de atrizes e escritoras. Seu CD de crônicas, tem
participação especial de Paulo Autran. Escreveu dezenas de livros de ensaios e
crônicas. Como cronista, aliás, substituiu Carlos Drummond de Andrade no “Jornal
do Brasil” (1984).
Curador e Mediador: EDSON
CRUZ (Ilhéus, BA), poeta e editor do site de Literatura e Adjacências MUSA
RARA (www.musarara.com.br).
Casa das Rosas Espaço Haroldo de Campos de Poesia e
Literatura
Av. Paulista, 37 - Bela Vista
CEP.: 01311-902 - São Paulo - Brasil
(11) 3285.6986 / 3288.9447
contato.cr@poiesis.org.br
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(11) 3285.6986 / 3288.9447
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quinta-feira, 17 de maio de 2012
POESIA DOS 4 CANTOS: NOITE PALESTINA
Caros, amanhã, sexta-feira, às 20h30, acontecerá o evento POESIA DOS
4 CANTOS: NOITE PALESTINA, na Praça Mário Chamie (Bibliotecas) do
Centro Cultural São Paulo, com a poeta Francesca Cricelli, os músicos
Claudio Rogério de Queiroz, William Bordokan, Semi el Khouri Bordokan e a
dançarina Cristina Antoniadis Bordokan. Entrada franca - sem
necessidade de inscrição, nem retirada de ingressos.
Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, n. 1.000, próximo à estação do metrô.
UM POEMA DE JORGE LUIS BORGES
História da Noite
Ao longo de
gerações
os homens
erigiram a noite.
No princípio era
cegueira e sonho
e espinhos que
laceram o pé desnudo
e temor dos
lobos.
Nunca saberemos
quem forjou a palavra
para o intervalo
de sombra
que divide os
dois crepúsculos;
nunca saberemos
em que século foi cifra
do espaço de
estrelas.
Outros
engendraram o mito.
A fizeram mãe das
Parcas tranquilas
que tecem o
destino
e lhe
sacrificaram ovelhas negras
e o galo que profetiza
seu fim.
Doze casas lhe
deram os caldeus;
infinitos mundos,
o Pórtico.
Hexâmetros
latinos a modelaram
e o terror de
Pascal.
Luis de Leon nela
viu a pátria
de sua alma
estremecida.
Agora a sentimos
inesgotável
como um vinho
antigo
e ninguém pode
contemplá-la sem vertigem
e o tempo a
carregou de eternidade.
E pensar que não
existiria
sem esses tênues
instrumentos, os olhos.
Tradução: Claudio
Daniel
quarta-feira, 16 de maio de 2012
AGORA É QUANDOS
“Para ser
poeta é preciso ser mais do que poeta”, escreveu Paulo Leminski. É preciso ter
os ouvidos de um músico de jazz, os olhos de um pintor cubista, o olfato de um
chef de culinária tailandesa, o tato de um cirurgião ou de um amante, que saiba
explorar cada partícula de pele. A poesia talvez seja a arte da síntese, que
assimila os recursos das outras artes, sem perder a sua especificidade, a
luxúria da palavra. Tambores pra N’zinga,
livro de estréia de Nina Rizzi (Rio de Janeiro: Editora Multifoco, 2012), traz
a música já no título da obra, anunciando a sonoridade de versos que exploram a
coloquialidade, a delicadeza, o humor, em peças ora fragmentárias, elípticas,
ora tecidas em fluente discursividade, herdeira do verso livre modernista.
A imagem se faz presente nessas linhas com a força de sua materialidade, como na composição em cinza e verde: “cobri o rosto em aço e folhas / que engraçado: / borboleta, cadela, estrela, nunca mais / -- isso aqui é um maciço, mínimo”. Em outra peça, intitulada pra o fim da melodia, orquestras reais, a autora diz: “lilás são os meus dentes e lábios e pernas e unhas. / minados, olhos / o meu exército, william, é de violetas”. A objetividade das coisas torna-se com frequência um recurso para a ironia ou o paradoxo, figuras caras à autora, como no poema outra cantata pra depois do nunca mais: “como poderia esquecer? / caixa de ressonância acústica, vibro: / suas palavras andam de bicicleta por meus ecos e umbigo”.
Nina Rizzi, feiticeira de vocábulos, faz da ironia lacônica a sua pedra-de-raio, o seu talismã, e apresenta ao leitor pequenos relâmpagos como estes: “já volto, vou me inexistir / no peito, aquela coisa de moer cana” (bachiana em dois movimentos para villa-lobos) ou ainda “adoro quando ela, afogada, acorda pra me ler” (pedrita numa nota). A veia erótica comparece do início ao fim do livro, ora com a sutileza do noturno: “depois, como não findasse o cio, / dava pena sentir tanto amor”, ora com a virulência do noturno da rua da glória: “há centenas de esquinas esperando / prontas pra ouvir – te amo. / mas ele, não mais, nunca mais / me diz – puta.”
Haveria muito mais o que dizer do livro de Nina Rizzi, sua dimensão política, a relação com o profano e o sagrado, a construção do tempo e da memória, mas deixarei aqui apenas essas pistas de leitura para o leitor interessado. Esta poeta, que também trabalha com o desenho, a pintura, a música, a videopoesia, surpreende como a onça de Guimarães Rosa, que não é uma, mas muitas. Vamos ouvir os toques do tambor!
A imagem se faz presente nessas linhas com a força de sua materialidade, como na composição em cinza e verde: “cobri o rosto em aço e folhas / que engraçado: / borboleta, cadela, estrela, nunca mais / -- isso aqui é um maciço, mínimo”. Em outra peça, intitulada pra o fim da melodia, orquestras reais, a autora diz: “lilás são os meus dentes e lábios e pernas e unhas. / minados, olhos / o meu exército, william, é de violetas”. A objetividade das coisas torna-se com frequência um recurso para a ironia ou o paradoxo, figuras caras à autora, como no poema outra cantata pra depois do nunca mais: “como poderia esquecer? / caixa de ressonância acústica, vibro: / suas palavras andam de bicicleta por meus ecos e umbigo”.
Nina Rizzi, feiticeira de vocábulos, faz da ironia lacônica a sua pedra-de-raio, o seu talismã, e apresenta ao leitor pequenos relâmpagos como estes: “já volto, vou me inexistir / no peito, aquela coisa de moer cana” (bachiana em dois movimentos para villa-lobos) ou ainda “adoro quando ela, afogada, acorda pra me ler” (pedrita numa nota). A veia erótica comparece do início ao fim do livro, ora com a sutileza do noturno: “depois, como não findasse o cio, / dava pena sentir tanto amor”, ora com a virulência do noturno da rua da glória: “há centenas de esquinas esperando / prontas pra ouvir – te amo. / mas ele, não mais, nunca mais / me diz – puta.”
Haveria muito mais o que dizer do livro de Nina Rizzi, sua dimensão política, a relação com o profano e o sagrado, a construção do tempo e da memória, mas deixarei aqui apenas essas pistas de leitura para o leitor interessado. Esta poeta, que também trabalha com o desenho, a pintura, a música, a videopoesia, surpreende como a onça de Guimarães Rosa, que não é uma, mas muitas. Vamos ouvir os toques do tambor!
terça-feira, 15 de maio de 2012
NAKBA: A TRAGÉDIA DE UM POVO
Nakba é uma palavra árabe que significa "catástrofe" e designa o êxodo
palestino de 1948, quando soldados sionistas do recém-fundado Estado de
Israel destruíram mais de 500 aldeias palestinas, como as de Deir Yassin
e Khan Yunis, massacrando milhares de civis e levando ao êxodo cerca de
750 mil palestinos, que se refugiaram em países árabes vizinhos. Hoje,
cerca de 4,5 milhões de palestinos vivem em acampamentos de refugiados
na Síria, no Líbano e em outros países, proibidos de voltar a suas casas
e terras pelo regime sionista. 15 de maio, dia de solidariedade ao povo
palestino!
domingo, 13 de maio de 2012
1948: MASSACRE DE DEIR YASSIN
Peter Phillipp
Na madrugada de 9 de abril de 1948, 120 terroristas invadiram e ocuparam o povoado de Deir Yassin, a oeste de Jerusalém. Testemunhas oculares relataram que eles foram de casa em casa e abriram fogo contra seus moradores.
Na madrugada de 9 de abril de 1948, 120 terroristas invadiram e ocuparam o povoado de Deir Yassin, a oeste de Jerusalém. Testemunhas oculares relataram que eles foram de casa em casa e abriram fogo contra seus moradores.
Quem
visita Israel precisa procurar muito para encontrar vestígios de antigos
povoados árabes. Em geral, tratam-se de ruínas. Na guerra de 1948, 400 povoados
palestinos foram destruídos e seus moradores expulsos. Lugarejos que existem
apenas em mapas antigos.
Cerca de
700 mil palestinos foram expulsos de suas casas, algo atualmente reconhecido por
historiadores israelenses como um processo sistemático de banimento ou
deportação.
Fim do sonho de dois
Estados
Em 29 de
novembro de 1947, as Nações Unidas haviam decidido criar um Estado palestino e
um israelense, sendo que Jerusalém seria internacionalizada. O Reino Unido
anunciou a disposição de desistir de seu mandato sobre a Palestina. Mas o mundo
árabe rejeitou a divisão. Também círculos nacionalistas radicais judeus não
concordavam, por temer o avanço árabe.
À medida
que se aproximava a data da retirada definitiva dos britânicos da Palestina, em
15 de maio de 1948, a situação ficou cada vez mais tensa e as manifestações se
ampliaram, muitas vezes seguidas de conflitos armados.
Dois
grupos judeus clandestinos arquitetaram um plano. O "Irgun", do posterior
primeiro-ministro Menachem Begin, e o "Lehi": expulsar os palestinos que
morassem no futuro território israelense.
O
primeiro povoado escolhido foi Deir Yassin, invadido por 120 terroristas na
madrugada de 9 de abril de 1948. Testemunhas oculares relatam que eles
dispararam as armas imediatamente.
Às 11
horas da manhã, o lugarejo estava tomado. Os terroristas começaram a ir de casa
em casa para assassinar seus moradores, fossem crianças, mulheres ou idosos. A
maioria dos homens a esta altura já tinha fugido.
Somente
à tarde, quando os moradores judeus ortodoxos começaram a retornar do trabalho e
a contar que os demais habitantes sempre foram pacíficos, o massacre teve fim,
250 sobreviventes foram transportados de caminhão e descarregados no lado árabe
de Jerusalém.
Deir
Yassin simplesmente deixou de existir. Embora as lideranças do movimento
clandestino judeu "Hagana" tenham condenado o massacre, nada aconteceu com os
responsáveis.
(Confiram mais artigos sobre a questão palestina no link Opinião da revista Zunái, na página http://www.revistazunai.com/editorial/index.htm)
sábado, 12 de maio de 2012
DOIS DEDOS DE PROSA: EVANDRO AFFONSO FERREIRA
O escritor Evandro Affonso Ferreira fará um depoimento sobre
a sua carreira literária e conversará com o público sobre temas como a
construção do romance, o papel da crítica literária, a função da literatura na
época contemporânea, entre outras questões, na
edição de maio do ciclo DOIS DEDOS DE PROSA, do Centro Cultural São Paulo, que
acontecerá na próxima terça-feira, dia 15, às 19h, na Sala de Debates. Entrada
franca - sem necessidade de inscrição, nem retirada de ingressos.
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